segunda-feira, 20 de agosto de 2012

FLUXOGRAMA FORMATAÇÃO DE FRANQUIA


Fluxograma de processo de formatação de uma
franquia

O fluxograma de processo de formatação de uma franquia apresenta uma seqüência que ilustra cada uma das fases a serem completadas antes de um franqueador abrir uma operação franqueada. Tais fases podem ser adaptadas em razão das especificidades de cada negócio. Caso o processo de formatação siga essas etapas, é muito provável que o franqueador otimize seus resultados.

Plano de Franquia




Na visão de Justis e Judd, o processo de formatação de uma franquia envolve diversas fases. Saiba quais são elas:

Fase I: Pesquisa e análise

Esta fase inclui um estudo de viabilidade econômico-financeiro e de atratividade mercadológica, que deve apontar a adequabilidade estratégica e tática da opção pelo sistema de franchising, diante das características intrínsecas do negócio e do mercado. Deve ser elaborado um estudo do mercado e da concorrência, além de um dimensionamento físico-financeiro do negócio a ser franqueado, com base nas experiências piloto, além da estrutura necessária para o franqueador.

Fase II: Desenvolvimento organizacional

Esta fase engloba os fatores internos e externos necessários para o desenvolvimento do sistema de franchising. Com base na análise dos aspectos legais, fiscais, contábeis, logísticos e ambientais que possam influir no negócio, e da análise do perfil mínimo e do perfil ideal do franqueado, identifica-se quais os aspectos da organização que ainda devam ser desenvolvidos ou aprimorados para que franquias possam ser concedidas. Quase todas as empresas passam por ajustes em sua organização para que possam franquear seu conceito. A resultante dessa tarefa é a elaboração de um plano de negócios ou de um plano de franquia.

Fase III: Marketing para franqueados

Nessa fase, é desenvolvida a estratégia de apresentação do negócio para o franqueado em potencial e o Plano Diretor de Comercialização de Franquias. A estratégia de comunicação para captação de franqueados é definida nessa fase. Além disso, a equipe que atenderá franqueados potenciais deverá ser capacitada nessa fase.

Fase IV: Seleção do franqueado

O processo de seleção de franqueados é definido nessa etapa, e inclui a análise do perfil pessoal, profissional, financeiro e comportamental do franqueado. São definidos os critérios e os meios a serem utilizados noprocesso seletivo: entrevistas, análise de crédito, análise documental, etc.

Devem ficar claras as razões pelas quais um franqueado terá sido ou não selecionado, além das informações qualitativas que poderão ser aproveitadas na fase de capacitação do franqueado. Um franqueado com facilidade em marketing, porém, com dificuldades em RH, poderá ter seu programa de capacitação ajustado de acordo com essas particularidades.

Fase V: Construção e treinamento

Enquanto o franqueado e sua equipe passam pelo programa de treinamento ou em alguns casos antes mesmo dessa fase, o franqueador deve avaliar o ponto e/ou o potencial de mercado da unidade franqueada – diretamente ou com o apoio de uma empresa especializada em geomarketing. Com o apoio de um escritório de arquitetura, deve estimar os custos de reforma do local e ajustar seu plano de negócios e suas projeções financeiras para a localidade específica. Estes serviços podem ser prestados após a assinatura do contrato ou serem antecipados por meio da assinatura de um protocolo de intenções ou pré-contrato. É cumprido nessa fase um detalhado check-list pré-operacional, envolvendo os procedimentos de montagem e instalação do negócio.

Fase VI: Início e acompanhamento

A partir da inauguração do negócio, deve ser colocada em prática uma campanha de marketing de lançamento, e ações de acompanhamento contínuo, em caráter pró-ativo, ou seja, independentemente de solicitações formais por parte do franqueado (lembrando que acompanhamento exclusivamente reativo caracteriza o sistema de concessão comercial e de serviços).

sábado, 18 de agosto de 2012

PERFIL DO FRANQUEADO





PERFIL DO FRANQUEADO


O perfil do franqueado varia de acordo com a rede. No entanto, a maioria delas busca pessoas com algumas características em comum:

Procura-se compulsoriamente:

  • Gestor direto do negócio, ou contratação de gerente com participação;
  • Comprometimento de menos de 50% de seu patrimônio pessoal;
  • Conhecimento básico do mercado;
  • Bom nível de sociabilidade;
  • Bom trato com o público em geral.

Procura-se preferencialmente:

  • Conhecimentos básicos de informática e/ou idiomas, se necessário;
  • Experiência anterior no ramo (para franquias de conversão);
  • Outras peculiaridades, conforme o ramo.

No que o franqueado será avaliado preliminarmente:

  • Pelas entrevistas pessoais;
  • Pelos resultados obtidos na análise da ficha cadastral;
  • Pelos resultados da análise de crédito(ref.comerciais,ref.pessoais,SPC/Serasa);
  • Pelos resultados obtidos nos testes de auto-avaliação e análise comportamental;
  • Por seu desempenho na fase de treinamento inicial, conforme previsto em contrato (opcional).

De acordo com o Instituto Franchising, são essas as principais informações solicitadas ao candidato:

  • 22% Experiência profissional;
  • 22% Dados financeiros;
  • 14% Dados pessoais;
  • 9%   Formação;
  • 6%   Referências;
  • 5%   Disponibilidade de tempo;
  • 5%   Expectativas;
  • 4%   Conhecimento sobre franchising;
  • 4%   Dados do cônjuge;
  • 4%   Habilidades específi cas;
  • 2%   Conhecedor da região do ponto de venda;
  • 3%   Outros.

Da mesma forma, estas são as características encontradas nos bons franqueados:

  • 18% Boa comunicação;
  • 14% Trabalho em equipe;
  • 10% Capacidade de desenvolvimento de pessoas;
  • 10% Liderança;
  • 10% Organização;
  • 9% Negociação;
  • 7% Flexibilidade;
  • 7% Obediência às regras;
  • 5% Outros;
  • 4% Saber ouvir;
  • 4% Criatividade;
  • 2% Gerenciamento do tempo.

Repare que a busca é por franqueados com perfil ao mesmo tempo flexível e com capacidade de seguir instruções, obedecendo às regras imposta pela rede,no intuito de obter um grau adequado de padronização do processo de elaboração da escala operacional.

As chaves da excelência em franquia

Segue o quadro com os dez principais fatores de sucesso das empresas
franqueadoras no Brasil: oito fatores internos e dois externos, de acordo com estudo publicado em 2002 pelo autor da presente cartilha, a partir de estudo originalmente desenvolvido por Claude Nègre, na França. Entenda esses pontos como metas a serem atingidas ao longo da história de sua franquia.



Fatores-chave de sucesso

Assinale com "x" quais os fatores internos e externos que você consegue
identificar em seu negócio:

Fatores internos

1) A adequabilidade estratégica e tática da opção pelo sistema de franchising, em linha com as características intrínsecas do negócio e do mercado;
2) A qualidade dos produtos e dos serviços, e este é um pré-requisito e não um diferencial;
3) Um consumidor que percebe e valoriza o diferencial criado pela empresa;
4) Um processo eficiente de seleção de franqueados;
5) Um programa de treinamento eficiente e bem estruturado, ajustado conforme o perfil do franqueado selecionado;
6) O planejamento e controle do desenvolvimento da rede;
7) Franqueados que respeitam o know-how acumulado pelo franqueador e que apreciam o controle e a supervisão por ele exercidos;
8) Um processo de inovação e desenvolvimento contínuos.

Fatores externos

9) O forte crescimento do setor de atividade;
10) Evoluções tecnológicas viabilizando novos conceitos.


Risco e retorno

Os cinco fatores de sucesso do franqueado
Contudo, qualquer franqueado deveria saber que são cinco os fatores que levam o negócio ao insucesso. Somente cinco fatores, que explicam 99% dos fechamentos de empresas franqueadas no Brasil. Caso ele consiga controlar esses fatores, dificilmente seu negócio não progredirá.

São eles:

1) O ponto/potencial de mercado: o local onde seu negócio será montado
determina o patamar básico de faturamento do negócio. O mesmo negócio, colocado em lugares distintos, pode faturar mensalmente R$ 10 mil, R$ 50 mil, R$ 100 mil ou nada! As características do ponto e do mercado por si só determinam esse patamar.

2) A capacidade empreendedora e administrativa do franqueado e de seus gerentes: segundo nossas observações, se o ponto determina que o negócio deve faturar na faixa de R$ 50.000 com lucro de R$ 10.000, no caso do comércio varejista, a gestão praticada por um excelente administrador, em média, aumentará o faturamento do negócio para R$ 65 mil, ou seja, 30% a mais com lucro de R$ 20.000. Um mau gestor conseguirá um faturamento
de R$ 35.000, ou seja, 30% a menos com lucro de R$ 2.000. É o segundo fator em ordem de importância. O valor de R$ 18.000, ou seja, a diferença entre o lucro no melhor e no pior caso, é considerado um “sobre lucro” decorrente da capacidade empreendedora e administrativa do franqueado e seus gerentes.

3) O capital inicial empatado no negócio e a disponibilidade de capital de giro: o capital é o que faz a coisa girar, e a falta de capital de giro faz a roda emperrar. Um franqueado que invista mais do que 70% de seu capital em um negócio pode se ver sem capital de giro no período das vacas magras, tendo de redimensionar seu negócio (downsizing) ou mesmo ter de vendê-lo. Note que a falta de crédito se enquadra nesse quesito.

4) A expectativa das partes antes de assinar o contrato: o franqueado que achava que bastava passar na empresa uma vez por semana para fazer um saque no caixa ou o franqueador que achava que poderia cobrar R$ 25.000 de taxa de franquia e dar uma orientação genérica a seu franqueado ficam perplexos diante da realidade dos fatos. A melhor maneira de evitar essa situação é a confecção de um Plano de Negócios, no qual se especifique a divisão de tarefas e responsabilidades entre as partes antes da assinatura do contrato de franquia.

5) A presença de sócios que não se conhecem muito bem ou que não tenham um vínculo muito forte, como um grau de parentesco por exemplo. É por essa razão que o sistema de cooperativas de franqueados, no qual até dez pessoas que não se conheciam se tornavam sócios de um fast-food não tinha a menor chance de dar certo. Mas sociedades entre um sócio investidor e alguns sócios
gerentes que trabalharam no mesmo banco e saíram por um Programa de Demissão Voluntária (PDV) também se enquadram nessa categoria!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

POR DENTRO DAS GERAÇÕES DE FRANQUIAS




POR DENTRO DAS GERAÇÕES DE FRANQUIAS

O sistema de franchising é bem-sucedido por várias razões. A principal é seu fundamento, que é muito simples:a concessão dos direitos de uso de uma marca associada à concessão dos direitos de venda de produtos ou serviços. Também de forma simplificada, a atratividade da franquia será proporcional à força reconhecida de uma marca, e quanto mais diferenciados e atraentes forem os produtos e serviços associados a ela.

Alguns modos de franqueamento modificaram-se ao longo do tempo e essas mudanças ocorreram em dois sentidos complementares. Primeiramente, a uniformização de padrões de qualidade relacionados à operação,administração e comercialização, até atingir a sofisticação da franquia de negócios completamente formatados. Todos os procedimentos relacionados a um determinado negócio, desde antes da montagem até a manutenção eficaz de sua operação, são previamente definidos e devem ser obedecidos para que o empreendimento obtenha sucesso.

Em um segundo momento, a evolução ocorreu por meio da permeabilidade do sistema, ou seja, a capacidade de troca de informações construtivas entre os participantes da cadeia, o franqueador, os franqueados e demais fornecedores. Esse intercâmbio visa diretamente ao incremento da eficiência do sistema como um todo. Algumas pessoas classificaram essas modificações no sistema de franchising como uma evolução, o que possibilitou sua categorização em até seis gerações, sendo a primeira a mais simples.

Classificação das Operações de Franchising

Coexistem, no mercado brasileiro, franquias que se encontram em seis estágios diferentes de desenvolvimento e profissionalismo. Para efeitos didáticos, as franquias são divididas em seis gerações, a saber:

Franquia de Primeira Geração (ou Franquias de Marca e Produto)

Trata-se de um sistema alternativo (e não exclusivo) de distribuição de produtos ou serviços. O franqueador licencia sua marca ao franqueado e distribui seus produtos ou serviços sem exclusividade, ou seja, os mesmos produtos ou serviços podem ser encontrados em outros varejistas ou prestadores de serviços que não os franqueados.

Caracterizam-se pela licença de uso de marca e pouco suporte ao franqueado. São aquelas em que não há exclusividade em favor do franqueado. Os mesmos produtos ou serviços podem ser encontrados em diversos pontos de venda, inclusive em lojas multimarcas. É comum entre fornecedores de produtos cujo mix não é amplo o suficiente para sustentar sozinho os custos operacionais de uma unidade.

Franquias de Segunda Geração 

Oferecem um pouco a comprar a mercadoria do franqueador e os royalties e taxas de promoções estão embutidas no preço da mercadoria. Diferentemente
da primeira, os produtos ou serviços são encontrados apenas nos estabelecimentos que integram a rede que opera sob a marca licenciada pelo franqueador.

Assim como ocorre com as franquias de 1ª Geração, a ênfase continua na licença de uso de marca associada à revenda de certos produtos ou à prestação de certos serviços (que quase sempre envolvem a utilização de produtos, equipamentos ou insumos fornecidos pelo próprio franqueador). A diferença básica entre esses dois tipos de franquia reside no fato de que, nas franquias de 2ª Geração, os produtos ou serviços é que são a razão de ser do negócio. Pode ser uma franquia de revenda ou distribuição exclusiva, e é muito comumente utilizada no segmento de confecções e acessórios.

A tendência é que as empresas que se utilizam desse esquema de atuação acabem optando por evoluir para o patamar seguinte, as Franquias de 3ª Geração. Aliás, muitas já o fizeram, ou estão fazendo.

 Franquias de Terceira Geração (também chamadas de Franquias
de “Formato de Negócio”, ou de “Business Format Franchises”)

Além da licença de uso de marca, o franqueador repassa know-how operacional a toda a sua rede, prestando serviços de assessoria e acompanhando de perto o dia-a-dia das operações dos franqueados. A essência das franquias desse tipo está na transferência do know-how desenvolvido pelo franqueador ao franqueado, em tudo o que diz respeito à instalação, operação e gestão de um negócio como o que será implantado e operado pelo franqueado. 

Trata-se de um tipo de franquia no qual costuma existir um espírito de parceria e equipe na rede. Em uma típica franquia de 3ª Geração, todos os métodos, processos e sistemas relacionados ao negócio que o franqueado irá instalar e operar são previamente desenvolvidos e testados na prática, pelo franqueador, para depois serem transferidos ao franqueado por meio de treinamento, manuais, consultoria de campo e mais uma série de outros mecanismos e ferramentas.

O objetivo, no caso, é garantir a manutenção em toda a rede de estabelecimentos que venha a ser instalada, com um padrão mínimo de qualidade e de uniformidade, tanto visual quanto operacional, que assegure a eficiência e a eficácia de todas as franquias. O que se espera é que essas franquias sejam um bom negócio para os respectivos franqueados e também para o franqueador.


Franquias de Quarta Geração (também denominadas de Franquias
de Rede de Aprendizado Contínuo)  

Destacam-se pela quantidade e qualidade dos serviços prestados. São franquias que possuem Conselho de Franqueados, que participa das decisões da empresa, colaborando para o fortalecimento da marca.

É comum no segmento de Educação e Treinamento. A padronização tem base na conscientização e na motivação da rede. É o tipo de franquia que agiliza a solução de problemas e o desenvolvimento de novos diferenciais competitivos e essenciais à sobrevivência dos negócios. O nível de profissionalização é alto, de acordo com a tendência de mercado e oferece pouco risco. Há uma grande assistência na operação do negócio, na tecnologia de rede e nos planos estratégicos de marketing com terceirização de serviços especializados.

Nesse tipo de franquia, as regras do dia-a-dia são menos rígidas (naquilo em que a rigidez não é essencial). A padronização tem menos base no típico esquema de “comando e controle” e mais na conscientização e na motivação da rede. O funcionamento e a padronização da rede estão fundamentados mais no senso de Missão e em Valores (esses sim, bastante rígidos, especialmente naquilo que afete a “essência competitiva” da organização), em
objetivos claros e compartilhados e em relacionamentos fundados no respeito mútuo.

A troca de informações entre franqueador e franqueados é contínua, sendo um caminho de duas mãos. A comunicação entre os franqueados (e desses com o franqueador) não é apenas tolerada, mas estimulada o tempo todo. Esse fato ocorre no que diz respeito à participação dos franqueados em certas decisões estratégicas.

As franquias de 4ª Geração bem estruturadas fazem uso de tudo àquilo que as franquias de 3ª Geração têm de melhor, ao mesmo tempo em que oferecem mais liberdade de atuação à rede. É evidente que, para que as coisas funcionem adequadamente, os franqueadores que optarem por esse tipo de sistema deverão estar ainda mais atentos aos processos de recrutamento, seleção, treinamento, motivação e monitoramento de seus franqueados.

Tais redes de franquias contam com a participação ativa dos franqueados no processo de tomada de decisões estratégicas. Essa mudança de postura acontece em um momento em que a quantidade e a velocidade de circulação das informações são muito maiores, como conseqüência de novas tecnologias trazidas pela internet e outros meios de comunicação. A disseminação de know-how, foco das redes franqueadoras, pode ser feita de uma forma extremamente barata e eficiente por parte do franqueado, pois ele tem acesso a todos os membros da rede, facilitando a mobilização para discussão de assuntos relevantes ao cotidiano das operações. Atualmente, no sistema de franchising, a relação entre franqueador e franqueado é de extrema interdependência.
O franqueador é quem desenvolve e promove constantemente o negócio, transformando o conhecimento gerado pela rede em ações eficazes. Já o franqueado é quem “faz acontecer” o negócio, dedicando-se a ele e colaborando com o franqueador na busca de diferenciais competitivos.

As franquias de 4ª Geração estão apenas surgindo. Mas tudo indica que a tendência natural será a evolução, por parte de muitas das redes que se encontram em estágios inferiores, para esse estágio mais elevado. Isso porque esse tipo de franquia agiliza a solução de problemas e o desenvolvimento de novos diferenciais competitivos essenciais à sobrevivência dos negócios em um mercado em que as coisas acontecem e mudam em um ritmo cada vez mais alucinante.

Franquias de Quinta Geração

O consultor Marcelo Cherto define as franquias de quinta geração como franquias sociais, voltadas para a disseminação em diversos locais, e sob a responsabilidade de diversas pessoas e organizações. São as atividades de entidades beneficentes bem estruturadas. Daniel Plá as define como franquias de 4ª Geração que têm a garantia de recompra pelo franqueador. Isso só é viável quando o franqueador é detentor do ponto comercial
(proprietário ou locatário, que aluga ou subloca ao franqueado).

Franquias de Sexta Geração (muito além das franquias) 

Durante anos, quando se falava em franquia, era comum se pensar apenas em lanchonetes, lojas de perfumes, de roupas e de mais um ou outro segmento. A imagem do franchising ficou, por muito tempo, associada ao pequeno varejo. Contudo, esse é apenas mais um dos mitos que cercam o sistema.

Nos últimos tempos, tem sido comum observarmos grandes corporações utilizando boa parte das ferramentas e técnicas que são peculiares ao sistema de franchising, para implantar, desenvolver e/ ou gerir seus canais de distribuição, notadamente redes de negócios (redes de revendas, de representantes, de agentes, de dealers, etc.) por meio das quais escoam seus produtos e interagem com o mercado consumidor de seus produtos e/ou serviços.

Tais organizações percebem que isto lhes permite criar e manter diferenciais competitivos, que já não conseguem obter usando os meios tradicionais. E isso tende a se intensificar. Afinal, os tempos de concorrência feroz não são apenas “nuvens passageiras”. Daqui para frente vai ser assim. E empresas de todos os portes e de todos os ramos de atividade terão de usar toda sua criatividade para encontrar saídas para sobreviver e prosperar, diferenciando-se de seus concorrentes. A essa utilização de técnicas e ferramentas tópicas das melhores operações de franquia para o aperfeiçoamento de redes de negócios e de canais de marketing formados por outros tipos de parceiros – com exceção dos franqueados – dá-se o nome de Franquias de Sexta Geração.




terça-feira, 14 de agosto de 2012

FRANQUIA - ALÉM DA RELAÇÃO COMERCIAL



FRANQUIA - ALÉM DA RELAÇÃO COMERCIAL

De modo objetivo a relação existente entre o franqueado e o franqueador é regida por um contrato firmado entre as partes, após análise do negócio pelo futuro franqueado e análise do franqueado pelo franqueador e entendimento entre as partes de que o que um oferece atende aos anseios e expectativas do outro, no entanto, como colocado ao início desta frase, esta é a leitura de modo objetivo, e talvez aplique-se de forma comum a maior parte das relações de fornecimento de produtos ou serviços. 

Faz-se necessário atentar que no contrato de franquia há muito mais que uma simples relação de fornecimento, pois o aspecto das relações humanas é muito mais aflorado que em outras relações comerciais, onde este não deixa de estar presente. Dentro de estudos e pesquisas no sistema de franchising há inclusive autores que o definem à semelhança de um casamento: a franquia é um casamento empresarial, no qual duas partes se unem em função de um interesse comum, neste caso, o sucesso. As fases na vida desta relação são semelhantes ao casamento entre duas pessoas, com algumas diferenças:
A expectativa do franqueado em relação a empresa franqueadora, ocorre muito antes de seu primeiro contato que normalmente ocorre junto a área de expansão. Via de regra, o franqueado antes de interessar-se por ser um empreendedor de determinada marca, é um consumidor desta e sua experiência como consumidor é o primeiro ponto de geração de expectativas.
A empresa franqueadora, antes de iniciar o processo de expansão através de franquias, deve realizar um planejamento onde sejam firmados princípios que nortearão sua relação a longo prazo com seus parceiros franqueados, afinal, a franquia não se constitui de uma relação de curto prazo. Estes princípios devem abranger valores que preservem a integridade do franqueador junto ao franqueado, mas que principalmente, cultivem a credibilidade e confiança do franqueado a esta organização. Estes princípios devem contemplar também, como o franqueado é visto dentro deste sistema, que pode ser desde um empresário parceiro e que contribuirá com o crescimento da rede, ou simplesmente como um elemento disponível no mercado para colocar capital e “abrir mais uma loja” atendendo somente aos interesses do franqueador. A maneira como o franqueado será visto e tratado, deverá ser estabelecida e incutida em todas as esferas da empresa, pois revela-se do momento em que este é atendido ao telefone em seu primeiro contato, até como é recebido pelo presidente da empresa franqueadora no momento da venda da franquia em relação as promessas que são feitas no que diz respeito ao que normalmente mais chama atenção do candidato a franquia, como:
  • Quanto precisarei investir?
  • Qual o tempo esperado para retorno do investimento?
  • Precisarei trabalhar no negócio? (ainda é muito comum o aspirante a   franqueado acreditar que um empreendimento pertencente a uma rede de franquias, “anda sozinho”);
  • Terei exclusividade de território?
  • Qual suporte terei durante a operação do negócio?
O método para captação e seleção de franqueados muda de uma franqueadora para outra, sendo básicas as seguintes etapas:
  • Cadastro no site da franqueadora com informações que permitirão a pré-qualificação do candidato de acordo com o modelo de negócio oferecido;
  • Contato telefônico com o candidato com objetivos de esclarecimentos acerca das informações prestadas;
  • Apresentação pessoal do modelo de negócio. Nesta etapa, a apresentação é realizada de acordo com o modelo escolhido pela franqueadora e volume de candidatos interessados que tenham passado pela fase de pré-qualificação, pois poderá ser uma apresentação individual ou uma explanação do modelo de negócio para vários candidatos interessados, para então posteriormente ser realizada uma reunião com entrevista ao candidato;
  • Entrega da circular de oferta de franquia. A entrega da COF, conforme legislação específica, deverá ser entregue ao candidato com antecedência mínima de dez dias em relação a assinatura do contrato de franquia, o momento de entrega da COF, não é objeto de menção na legislação. Esta poderá ser entregue em uma reunião individual com o candidato, ou mesmo em uma apresentação coletiva da franquia (esta situação é menos comum devido ao caráter de informações contidas no documento);
  • Busca do ponto comercial para instalação da unidade franqueada. Em alguns casos a franqueadora já possui um ponto negociado e aprovado – não estamos tratando de sublocação – que será submetida a aprovação do candidato. Em outros casos, o próprio candidato é quem irá, de acordo com as características de ponto comercial determinadas pela franqueadora pesquisar e apresentar o ponto comercial;
  • Assinatura do contrato de franquia e assinatura do contrato de locação do ponto comercial.
  • Participação do franqueado em treinamento inicial e instalação da unidade franqueada.
Existem as franqueadoras que atuam com pré-contrato de franquia, onde após a análise da circular de oferta de franquia pelo candidato, este assina um pré-contrato que lhe assegurará um determinado tempo e reserva de área para abertura da unidade franqueada. A vantagem para o franqueado quando atua com pré-contrato de franquia, é que normalmente, em sua assinatura, parte da taxa de adesão é paga neste momento. Uma desvantagem deste modelo é que se dentro do tempo previsto no pré-contrato de franquia o candidato não realiza a abertura da unidade franqueada, neste intervalo de tempo, a rede perdeu oportunidade de crescimento naquela praça.
Durante todo o processo acima, que pode levar de sessenta dias até um ano ou mesmo mais, o candidato a franquia é exposto a situações que lhe geram expectativas em relação à franquia, onde normalmente o franqueador atua com ações no sentido de conquistar o futuro franqueado. Mesmo franqueadoras que tem um processo de seleção rigoroso, que utilizam-se da chamada “anti-venda”, naturalmente, tem objetivos e metas de crescimento. Se a partir do momento que o franqueado desvincula-se da área de expansão, que usualmente conduz todas as etapas acima, e inicia a operação, percebe uma mudança no modo como ele foi visto, recebido e tratado até o momento, inicia uma desconfiança que o direciona a não acreditar no negócio como o vinha fazendo até então, e o vínculo existente com o franqueador passa a se tornar um pouco mais frágil.
Esta mesma situação perpetua-se enquanto o franqueado estiver ligado a franqueadora, pois ao longo do tempo, ele lidará com os profissionais de apoio a operação do negócio, tais como assistentes ou analistas de franquia; consultores ou supervisores de campo; gerências de franquia; área de marketing e demais profissionais da franqueadora, que deverão estar alinhados com as estratégias da empresa no sentido de excelência em gestão da rede de franquias para multiplicação e perenidade do negócio.
Na obra “Franchising, uma estratégia para expansão de negócios”, no capítulo que trata do relacionamento entre franqueado e franqueador, Fernando Camporá aponta cinco aspectos que ajudam as operações de franquias a serem bem sucedidas à longo prazo. Discorreremos uma exploração dos cinco aspectos desenvolvidos por Camporá, sem que, no entanto, ocorra transcrição do autor, mas interpretação de sua idéia:
Profissionalismo 
Conforme mencionamos acima, o franchising é um modelo de negócio onde a relação humana transcende ao contrato objetivo, no entanto, tendo pessoas e suas nuances como fator de grande importância no modelo de franchising, o método de negócio, a padronização de procedimentos, a estrutura da franqueadora, o preparo dos funcionários da franqueadora que lidarão com o franqueado, as práticas de capacitação da rede, o contínuo desenvolvimento da marca, a qualidade dos produtos ou serviços ofertados ao consumidor final são pontos fundamentais para a sustentação do negócio franqueado.
Transparência 
Importante em qualquer negócio e imprescindível no sistema de franchising, a transparência com que o franqueado é tratado, provoca a situação recíproca. A prática da transparência torna-se facilitada quando o franqueador possui objetivos bem delineados, pois durante o decorrer do negócio, os franqueados atuarão dentro destes objetivos, sendo de melhor entendimento a necessidade de correções de direcionamento diante de mudanças no mercado, surgimento de concorrentes ou mesmo oportunidades que potencializem a velocidade de crescimento. É possível que informações estratégicas não possam ser levadas a conhecimento público e neste momento a postura de ética e idoneidade do franqueador farão a diferença na confiança conquistada junto a sua rede de franqueados.
Empatia 
A capacidade de se colocar no lugar do outro e perceber seus anseios e expectativas é talvez a melhor ferramenta e habilidade que o franqueador pode utilizar para melhor gerir sua rede de franqueados, principalmente porque em grande parte dos casos onde surgem divergências de opiniões, um dos lados tende a tomar determinadas posições que omitem os reais interesses, que deveriam ser trabalhados no sentido de focar e sanar o problema ou fonte de divergências. No exercício da empatia, no que diz respeito a operação e aspectos técnicos do negócio, o franqueador tem possibilidade de obter esta percepção através de gestão de unidades próprias, exercício de pessoal de campo nas unidades próprias, simulação de consumidor em unidades franqueadas, exercício de pessoal interno de atendimento e demais situações possíveis de mensurar. A situação torna-se um tanto mais complexa quando o desvio ocorre em conseqüência de um problema particular do franqueado, que influencia seu desempenho no papel de franqueador.
Reconhecimento
É de natureza do ser humano a carência do reconhecimento de suas realizações. Como já mencionado neste trabalho que no sistema de franchising, o aspecto humano é algo que se destaca em relação a outros sistemas de negócio, assim, o reconhecimento do franqueador ao franqueado, talvez seja uma das principais ferramentas na gestão do relacionamento com a rede. Este reconhecimento, pode vir de várias formas, sendo a mais comum em prêmios entregues em convenções de franqueados onde o reconhecimento acontece perante todos os demais integrantes da rede. Desenvolver formas de classificação ou mensuração onde todos possam concorrer em igualdade de condições permite que não existam unidades ou grupos de unidades privilegiadas em detrimento das demais. Critérios como evolução em faturamento ou lucratividade por região ou em relação a própria unidade, desempenhos em campanhas, por exemplo. A motivação gerada pelo reconhecimento, além de transmitir sentimento de respeito do franqueador, contagia os demais na busca por resultados positivos.
Compreensão do momento do franqueado 
Ao longo do tempo o franqueado passa por diversas fases em relação ao negócio, considerando esta situação, é no mínimo inteligente o franqueador que tem a percepção de identificar estes momentos, que Camporá define como: aprendizado; acomodação; questionamento; dúvida e construção conjunta.

sábado, 11 de agosto de 2012

TIPOS DE FRANQUIAS - MODALIDADE DO NEGÓCIO


TIPOS DE FRANQUIAS - MODALIDADE DO NEGÓCIO

Existem diversas modalidades de negócio que devem ser estudadas por aqueles que pretendem abrir uma franquia.
 
Uma das análises fundamentais para o empreendedor que deseja abrir uma franquia é escolher aquela que mais se encaixa em seu perfil. Aqui, estão elencados diversos tipos de negócio. A cada tipo, um breve resumo com os diferentes enfoques, desde a concepção do projeto até a expectativa de retorno.

Tipos de franquia, quanto à modalidade de negócio

Franquia Individual

A modalidade individual não divide espaços com outras franquias. É a mais usual, por manter o conceito adequado de franquia. Funciona num ponto comercial especificamente escolhido para o negócio, independentemente do ramo de atividade anteriormente existente no local.

Franquia de Conversão

Na franquia de conversão, a experiência empresarial e investimentos do franqueado se revertem para o franqueador, num mesmo ramo de negócios. Inclui os fracassos ou sucessos do empreendimento com adaptação às normas gerais da respectiva franquia. Nesta modalidade, o empresário independente transfere sua tecnologia de negócio isolado para o franqueador, numa troca de experiências. Aproveita e valoriza o ponto comercial já existente, visando maior rentabilidade e ao menor investimento entre as partes.

Franquia Combinada

A franquia combinada, como o nome define, reúne franquias diferentes, com um mesmo franqueado, num mesmo ponto comercial. As unidades de negócios são similares, numa linha complementar de produtos/serviços. Visa obter vantagens por meio da integração total de atividades, desde que não haja restrição por parte dos franqueadores.

Franquia Shop in Shop

O empresário, nesta modalidade, aproveita seu atual ramo de negócios, incluindo seu ponto comercial, para incorporar uma franquia de outro ramo de negócios.

Franquia de Mini-Unidades

Trata-se de uma modalidade da franquia individual, com ponto comercial versátil. Pode funcionar numa pequena loja, quiosque, carrinho ou ponto de coleta de serviços, ou seja, com área reduzida para a operação do negócio. Objetiva uma linha de produto/serviço específica e centralizada em unidades satélites.

Tipos de franquia, quanto à atuação geográfica

Franquia Unitária

Modalidade em que o franqueador cede o direito de implantação e operação ao franqueado. Exige uma unidade específica em local determinado, com exclusividade. Caso o franqueado almeje conciliar outro tipo de franquia, deverá consultar o franqueador.

Franquia Múltipla

Este tipo de franquia permite ao franqueado formar sua própria rede local ou regional, envolvendo outras franquias unitárias com o seu crescimento até o limite de mercado. Importante: as partes do negócio mantêm controle rigoroso sobre a multiplicação da franquia em rede para não perderem a unidade do negócio e a proximidade com o público consumidor.

Franquia Regional

Esta modalidade abre a atuação geográfica ao franqueado por tempo e áreas determinadas. Envolve taxa de franquia regional, negociada em pagamento à vista na primeira etapa, e pagamentos sucessivos a cada unidade de franquia aberta. Faz parcerias, sob sua responsabilidade, por meio de contratos individuais na região.

Franquia de Desenvolvimento de Área

Este tipo de franquia tem atuação geográfica definida, possibilitando ao franqueado abrir tanto unidades próprias quanto unidades em parceria na sua área de atuação. Os contratos são assinados individualmente pelo franqueador principal. Os franqueados do franqueado intermediário desenvolvem e multiplicam suas áreas. É proibida a subfranquia. O franqueado detentor da área recebe taxas por franquias desenvolvidas com pagamento inicial para desenvolvimento das outras franquias.

Franquia Master

Também conhecida como Master Franchising. É a franquia limitada a determinada região geográfica. Dá direito a subfranquias por parte do franqueado, que poderá criar outras unidades individuais como, por exemplo, franquias internacionais, sujeitas a legislações e adaptações culturais do país onde se expande.

Franquia de Representação

Neste caso, o franqueador não cede os direitos geográficos de atuação. Não estrutura as filiais para suporte. O franqueado responsabiliza-se por determinados serviços, treinamentos, inspeção, publicidade, vendas de franquia etc.

Tipos de franquia, quanto à remuneração

Franquia de Distribuição

Trata-se de um tipo de franquia com remuneração básica do franqueador com base nos produtos ou serviços. Não há taxa explícita de royalties ou taxa inicial da franquia. Na maioria das vezes, esses custos estão embutidos na receita do franqueado, envolvendo, posteriormente, maiores taxas de impostos. Recomenda-se atenção especial por parte do franqueado, considerando a propaganda enganosa no custo final de taxas.

Franquia Pura

Esta modalidade ocorre mais no setor de alimentos e serviços. Oferece mais tecnologia, com taxas de royalties e taxas de franquia sobre a rentabilidade. Importante: o franqueador não se enquadra como fornecedor e não tem remuneração sobre fornecimento de terceiros.
Franquia mista – Este tipo de franquia tem-se expandido mais no mercado. Caracteriza-se pelas taxas de fornecimento de produtos, royalties e taxas de franquia. Tem as funções de distribuição definidas e separadas das receitas de administração da rede.